Jovem de MS nota 'avanço' no irmão com Down após produção de filme

Mohamed é o caçula da família Sokem Dalloul (Foto: Dayana Sokem Dalloul/ Arquivo Pessoal)

 

“Sempre ouvi das pessoas que as coisas mais bonitas que escrevo são sobre ele e eu tenho certeza, porque ele é a coisa mais bonita que já me aconteceu”, foi assim que a campo-grandense Dayana Sokem Dalloul, de 22 anos, descreveu o protagonista do seu documentário, o irmão Mohamed Blal Sokem Dalloul, de 18 anos. A cineasta produziu um filme sobre a luta do irmão que tem Síndrome de Down para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

“Com certeza um dos objetivos foi quebrar o preconceito. Um dos objetivos foi mostrar para as pessoas que isso não é uma coisa ruim, não é uma doença, não é algo que você tem que temer quando vai pensar em ter um filho. É algo que só traz ensinamento. É difícil sim, mas é sim uma grande oportunidade de aprendizado. Me sinto honrada em ter um irmão com Síndrome de Down”, afirmou Dayana

A jovem se formou em cinema, em julho de 2015, mas o filme só foi disponibilizado seis meses depois porque Dayana queria que a história do irmão fosse o mais acessível possível com legenda em libras e audio descrição. Além do trabalho lhe render nota 10, também ajudou no avanço da desenvoltura de Mohamed que participou de cada detalhe.

Veja o filme aqui: http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2016/01/jovem-de-ms-nota-avanco-no-irmao-com-down-apos-producao-de-filme.html

“Meu irmão sempre foi muito desenvolvido e muito estimulado em casa. Só que eu sinto que o filme fez com que nos empenhássemos ainda mais na síndrome. Notei muito mais o desenvolvimento dele porque passei mais tempo próxima e ficava atenta a tudo que ele fazia. Percebi que ele foi aprendendo a falar coisas que antes não sabia falar, ele foi desenvolvendo senso crítico de tudo o que estava ao redor. Fiquei muito impressionada e sinto que o filme ajudou nisso, foi um grande passo na vida dele”, falou Dayana.

A cineasta contou ao G1 que ficou muito emocionada no final da apresentação do TCC por causa da presença da família, mas em especial, pelo reconhecimento do irmão que disse: “Day, muito obrigada! Eu amei o meu filme! Obrigada por ter feito o meu filme!”.

“Foi incrível, foi melhor do que as considerações dos professores, do que qualquer coisa!”, disse emocionada. A jovem disse que fica arrepiada só de lembrar do momento. Além disso, o alívio de não ter invadido a privacidade de Mohamed, que ficou muito feliz com o documentário.

De acordo com a campo-grandense, foi por meio da decisão de mostrar a história do irmão e da família que aprofundou ainda mais o conhecimento sobre a síndrome. O conhecimento era apenas superficial, pois a mãe sempre procurou os melhores profissionais para atender o caçula.

“Quando ele nasceu, eu ainda não compreendia muita coisa, mas sempre fui interessada. Minha mãe sempre leu muito e procurou os melhores profissionais, desde o nascimento dele”, lembrou.

Durante a produção do curta-metragem, Dayana se deparou com várias dificuldades em realizar um projeto como documentário, mas os obstáculos contribuíram para seu crescimento, além de criar coisas boas para a família. “Conheci instituições, cineastas especialistas em deficiência e atores deficientes. Foi maravilhoso!”, completou.

Apesar dos elogios de pessoas próximas, a cineasta não imaginava a repercussão que o documentário geraria. “Pessoas me falaram que não sabiam nada sobre a síndrome de down, mas que depois do meu filme quiseram entender melhor”, pontuou.

O filme que já estava concluído, mas ainda não tinha sido lançado. Foram seis meses para ficar visível para o público. O documentário foi lançado com legenda, libras e áudio descrição, e já atingiu 2 mil visualizações no canal do Youtube.

A exigência pela acessibilidade ao documentário ganhou força depois de Dayana assistir à palestra da escritora Cláudia Werneck, que contou sobre a luta pela acessibilidade em seu livro. Além disso, um dos pilares principais do filme é a inclusão social. “Essa luta pela quebra de preconceito, pela inclusão social, foi justamente pensando nisso, na inclusão que eu quis fazer um filme acessível”, finalizou.

 

Fonte: http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2016/01/jovem-de-ms-nota-avanco-no-irmao-com-down-apos-producao-de-filme.html